Venda da SAF do Vasco a enteado de Leila Pereira será analisada com ‘rigor’, diz chefe da Anresf

Presidente da agência de fair play financeiro cita casos na Europa e explica o que diz a legislação. Crédito: Fotografia e som: Léo Souza | Edição: Júlia Pereira

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O conselheiro Luiz Fernando Moncau, do grupo de oposição Ocupa Palestra, solicitou uma sindicância contra a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, após ela chamar opositores de 'meia dúzia de imbecis'. A declaração ocorreu em resposta a críticas sobre um possível conflito de interesses na compra da SAF do Vasco. Moncau defendeu igualdade na aplicação de regras após a suspensão de José Corona Neto por críticas a Leila. A decisão sobre a sindicância cabe ao presidente do Conselho, Alcyr Ramos.

O conselheiro Luiz Fernando Moncau, do Ocupa Palestra, grupo de oposição no Palmeiras, solicitou a abertura de uma sindicância contra a presidente Leila Pereira, que chamou seus opositores de “meia dúzia de imbecis” em declaração recente.

Ao rebater cobranças de opositores que apontavam um conflito de interesses na compra da SAF do Vasco pelo enteado da mandatária alviverde, o empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, que é conselheiro do clube paulista, Leila fez um discurso em um evento com conselheiros do clube em uma pizzaria e chamou os críticos de “imbecis”.

Oposição do Palmeiras pede sindicância contra Leila Pereira. Foto: Alex Silva/FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

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“Quando começar a conversa de meia dúzia de imbecis de que nossa dedicação não é integral ao Palmeiras, é mentira. Até dezembro de 2027, minha dedicação e a do meu marido são integrais ao Palmeiras”, afirmou a dirigente.

Na reunião do Conselho Deliberativo, realizada na noite de segunda-feira, 19, Moncau contestou a postura da presidente e defendeu que as regras para apuração de possíveis ofensas sejam aplicadas de maneira igualitária. O conselheiro fez referência à punição imposta a José Corona Neto, suspenso por nove meses após críticas direcionadas à mandatária.
“Passam-se alguns dias e a gente recebe um áudio de uma reunião de conselheiros do Palmeiras, em que, em virtude de um outro posicionamento educado, tratando de assuntos de relevância para o clube… Como é que as pessoas que compõem essa gestão, onde é que elas vão estar amanhã? Essa é a pergunta que a gente faz. E o que a gente ouve? Eu não diria que é surpresa, mas que quem assinou aquela nota seriam meia dúzia de imbecis. Imbecis é a palavra”, disse Moncau durante discurso à qual o Estadão teve acesso por meio dos áudios.
“Talvez, para estabelecer um pouco de igualdade na maneira como as coisas estão sendo conduzidas aqui, a gente deveria abrir outra sindicância contra quem, no caso, a presidente Leila Pereira, proferiu ofensas contra outras pessoas. Inclusive, entendo eu, contra a minha pessoa, me chamando de um membro desse grupo de meia dúzia de imbecis”, prosseguiu o conselheiro.
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“Eu peço que fique registrado expressamente na ata dessa reunião que outras agressões aconteceram e não foram sindicadas, e devem ser sindicadas. Estou pedindo a abertura dessas sindicâncias”, finalizou Moncau.
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Presente na reunião, Leila Pereira permaneceu em silêncio, sem se expressar. A decisão de atender ou não ao pedido da oposição está nas mãos do presidente do Conselho, Alcyr Ramos.
Conselheiro suspenso
Na mesma reunião, o Conselho Deliberativo decidiu suspender o conselheiro José Corona Neto por nove meses em decorrência das críticas que ele fez à presidente Leila Pereira em dezembro do ano passado. Foram 121 votos a favor, 42 votos contra e 33 abstenções. A maioria dos conselheiros entendeu que a postura dele foi inadequada e fora do tom.
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Na ocasião, Corona classificou a dirigente como incompetente e afirmou que “quem não entende de futebol não pode ser presidente do Palmeiras, tem que ficar em casa”. O conselheiro também questionou os mais de R$ 700 milhões investidos pelo clube em contratações ao longo de 2025, além de criticar a possibilidade de uma alteração no estatuto que permitisse à presidente disputar um terceiro mandato.
Em resposta, Leila rebateu as declarações e chamou o conselheiro de “covarde” por não permanecer no local para ouvir sua réplica. A dirigente ressaltou que não toleraria desrespeito e ameaçou recorrer à Justiça contra o integrante da oposição.
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