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Polícia Civil investiga seis mortes de bebês em hospital de SP; assistente jurídica das famílias diz que casos podem chegar a 36
Polícia Civil investiga seis mortes de bebês em hospital de SP; assistente jurídica das famílias diz que casos podem chegar a 36 · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Prontuários de recém-nascidos que teriam morrido de infecção hospitalar estão sob análise de agentes; hospital diz que pacientes receberam assistência contínua e multidisciplinar

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Sede do hospital Salvalus, na Rua Bresser, na Mooca, zona leste da cidade — Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo investiga mortes de bebês e crianças atendidos no Hospital Salvalus, na Mooca, Zona Leste da capital. O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas, segundo a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que atende familiares de vítimas, há relatos de pelo menos 36 mães que perderam os filhos na unidade ao longo de aproximadamente nove meses. Ela mantém contato com 18 dessas mulheres e presta assistência para três famílias.

As suspeitas envolvem possíveis infecções adquiridas durante as internações, falhas na assistência médica e inconsistências em prontuários. O caso inicialmente foi revelado pelo portal Metrópoles. Segundo a assistente jurídica informou para O GLOBO, as mães começaram a compartilhar informações sobre os casos depois de conviverem durante as internações dos filhos. Ao comparar os relatos, passaram a suspeitar de um possível padrão nas mortes. As hipóteses ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

Segundo Eduarda, além dos 36 casos que conhecia, após denúncia, recebeu mais relatos de outras famílias. Além das seis mortes investigadas pelo 8º DP, a assistente jurídica afirma que há ocorrências em outras delegacias e mães que ainda não registraram boletins de ocorrência.

— Está pulverizado. Um está em situação com um inquérito instaurado, e as outras ainda estão para ir fazer boletim de ocorrência — disse.

A demora de algumas famílias em procurar as autoridades foi atribuída ao abalo emocional. Eduarda afirma que começou a orientar essas mulheres depois de ser incluída em um grupo criado por uma cliente que também perdeu o filho.

— Algumas ficaram muito tempo em depressão, em estados emocionais extremamente abalados. Tem umas que ainda vivem dopadas, sem condições nenhuma de tomar nenhuma providência. Foi por isso que comecei a orientá-las, a encorajá-las a buscar justiça e conhecimento do que poderia ser feito — afirmou.

Ela afirma que os bebês teriam contraído uma bactéria durante a internação e aponta a possibilidade de contaminação cruzada.

— Eu tenho prontuários que têm intercorrências dizendo que a criança, pós-óbito, tem lá uma intercorrência no dia 6 de junho, mas a criança morreu no dia 10 de maio. Como que tinha uma intercorrência naquele prontuário se ele já tinha morrido?

Para a assistente jurídica, a investigação deverá examinar detalhadamente os prontuários e as circunstâncias de cada internação, além de apurar a possível disseminação de uma bactéria na unidade e eventual responsabilidade do hospital.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os casos, ocorridos em meses anteriores, foram comunicados à polícia na quarta-feira (21). Segundo a pasta, a autoridade policial realiza investigações para esclarecer as circunstâncias dos óbitos.

A apuração inclui depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise integral dos prontuários médicos dos pacientes. O objetivo é esclarecer as causas das mortes e as circunstâncias em que ocorreram.

O Hospital Salvalus integra a rede Hapvida. Em nota, a empresa afirmou que "trata os relatos com a máxima seriedade". O hospital também diz que os pacientes mencionados apresentavam condições clínicas distintas e as mortes "não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica".

"Referência em maternidade de alto risco e assistência pediátrica de alta complexidade, a unidade recebe crianças com condições graves, como prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e quadros infecciosos que exigem cuidados especializados. Este ano, mais de mil crianças foram atendidas, com cuidados individualizados e equipes especializadas. As avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados", diz o hospital.

Segundo a empresa, a diretoria de acolhimento do hospital mantém um canal aberto para ouvir as famílias e prestar esclarecimentos, respeitando a privacidade e o sigilo médico. Também informa que até o momento "não recebeu notificação formal sobre os procedimentos mencionados e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários". Veja a nota completa a seguir:

O hospital reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência e o respeito às famílias. A instituição trata os relatos com máxima seriedade e ressalta que situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica.

Referência em maternidade de alto risco e assistência pediátrica de alta complexidade, a unidade recebe crianças com condições graves, como prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e quadros infecciosos que exigem cuidados especializados.

Este ano, mais de mil crianças foram atendidas, com cuidados individualizados e equipes especializadas. As avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.

O hospital ressalta que alegações apresentadas não podem ser generalizadas nem utilizadas para estabelecer conclusões sobre todos os atendimentos sem respaldo técnico. Afirmações sem a devida contextualização podem ampliar a angústia de famílias que já enfrentam momentos de grande vulnerabilidade.

A unidade mantém avaliações contínuas da segurança assistencial e canais de acolhimento às famílias. Até o momento, a instituição não recebeu notificação formal sobre os procedimentos mencionados e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários, preservando o sigilo médico e a privacidade dos pacientes.

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