Cientistas brasileiros descobriram que o mosquito Aedes albopictus, primo biológico do Aedes aegypti, também é capaz de transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela, e consegue alcançar pessoas que moram em andares superiores de prédios. Isso porque, durante experimentos com os insetos, foram identificados ovos depositados a mais de 10 metros do solo.O objetivo do estudo era avaliar a capacidade de oviposição (ato de depositar ovos) do Aedes albopictus. Para isso, os pesquisadores utilizaram uma torre de seis andares, na qual todos os níveis receberam ovos. A maior concentração ocorreu em até cerca de 4 metros de altura. Leia também Minas GeraisPBH pede denúncias de focos de dengue diante de alerta para nova epidemia MundoDengue: condados da Flórida declaram emergência após surto; 1 pessoa morreu SaúdeDengue cai 75% no Brasil, mas El Niño pode provocar nova alta BrasilAnvisa autoriza empresa a produzir mosquito com bactéria antidengue As descobertas foram fruto de uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e as universidades Federal do Maranhão (UFMA), Federal do Paraná (UFPR) e Estadual de Londrina (UEL). Os resultados foram publicados na revista EntomoBrasilis nesta sexta-feira (9/10).Durante os testes realizados em Manaus, foram instaladas 30 armadilhas em diferentes alturas de uma torre localizada em um fragmento florestal urbano. Os experimentos foram feitos no Norte, pois a espécie é abundante na região, além de transitar entre ambientes silvestres e urbanos.O trabalho durou 10 semanas, sendo dividido entre as estações seca e chuvosa de 2015. Após o monitoramento, foram encontrados mais de 35 mil ovos do inseto. A maioria estava nos andares mais perto do chão, especialmente até o 4º. No entanto, como o mosquito marcou presença em todos os níveis avaliados, houve deposição de ovos a até 10,8 metros do solo.“A colonização de andares superiores significa que os moradores de apartamentos não estão isentos do risco de picadas de vetores primários e secundários, estando expostos à transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya dentro de suas residências”, afirma um dos autores do estudo, Adriano Nobre Arcos, pesquisador do Inpa, em comunicado.Segundo Arcos, a existência de locais de descanso, recipientes com água para colocar ovos e fontes de sangue (humanos e animais domésticos) favorecem a presença dos mosquitos em prédios residenciais. Além disso, a redução ou eliminação de abrigos disponíveis no solo também pode fazer os insetos buscarem criadouros em apartamentos mais altos.Os pesquisadores afirmam que as descobertas demonstram lacunas nas medidas de controle utilizadas atualmente, que priorizam procurar focos de ovos em quintais e no térreo. “Em cidades com forte expansão de edifícios residenciais, as equipes de vigilância precisam incluir andares superiores nas rotinas de vistoria e manejo de criadouros”, defende o pesquisador.Entre os próximos passos do estudo está a compreensão de como o mosquito chega a andares mais altos e quais são os efeitos das mudanças climáticas e da sazonalidade a longo prazo nos hábitos do inseto.







